Meus cabelos querem se enroscar em teus dedos;
Minha pele quer o toque de tuas mãos;
Minha boca tem sede dos teus beijos...
Tudo em mim reclama tua presença.
sábado, 14 de novembro de 2009
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
AMADO...
Ah, aquele seu sorriso eternizado no meu porta retratos...
Nascido dos nossos primeiros beijos nada tímidos
Posto que sempre fora tamanha a nossa intimidade
E ainda me perguntas se leio pensamentos?
Eu apenas escuto quando teu coração me chama
Assim como também atendes aos sussuros do meu
Ora, se acreditasse em vidas passadas
Teria eu uma boa explicação para toda essa sintonia
E até mesmo queria acreditar que nascer de novo fosse possível
Porque essa vida só é muito pouco
Pro tanto de amor que ainda tenho pra te entregar
Nascido dos nossos primeiros beijos nada tímidos
Posto que sempre fora tamanha a nossa intimidade
E ainda me perguntas se leio pensamentos?
Eu apenas escuto quando teu coração me chama
Assim como também atendes aos sussuros do meu
Ora, se acreditasse em vidas passadas
Teria eu uma boa explicação para toda essa sintonia
E até mesmo queria acreditar que nascer de novo fosse possível
Porque essa vida só é muito pouco
Pro tanto de amor que ainda tenho pra te entregar
Marcadores:
Dentro do coração,
Pensamentos
sábado, 24 de outubro de 2009
Desabafo
Por favor não me analise
Não fique procurando
cada ponto fraco meu
Se ninguém resiste a uma análise
profunda, quanto mais eu!
Ciumenta, exigente, insegura, carente
toda cheia de marcas que a vida deixou:
Veja em cada exigência
um grito de carência
um pedido de amor.
Amor, amor é síntese,
uma integração de dados:
Não há que tirar, nem pôr.
Não me corte em fatias,
(ninguém abraça um pedaço)
Me envolva toda em seus braços
E eu serei perfeita, amor!
(do livro "Bom dia amor!", 1990, Mirtes Mathias)
Pois é, as vezes fica difícil ser uma pessoa compreensiva o tempo todo;
Aquela que sempre entende o lado de todo mundo;
Que tenta exibir um largo sorriso, em qualquer ocasião.
Isso se agrava bastante quando os hormônios estão à flor da pele, e a certonina abaixo da linha da pobreza.
Infelizmente isso tudo acaba respingando em quem estiver mais próximo, ou em quem ousar aproximar-se.
Mas o motivo é que as pessoas a quem mais amamos, são nossas fortalezas, onde sabemos que podemos sempre nos apoiar quando estamos fracos.
Aliás isso me faz recordar de uma célebre frase, perdoem a minha ignorância, mas de momento não recordo a quem pertence: "Me ame quando eu menos merecer, pois esse será o momento em que mais preciso do seu amor".
Não fique procurando
cada ponto fraco meu
Se ninguém resiste a uma análise
profunda, quanto mais eu!
Ciumenta, exigente, insegura, carente
toda cheia de marcas que a vida deixou:
Veja em cada exigência
um grito de carência
um pedido de amor.
Amor, amor é síntese,
uma integração de dados:
Não há que tirar, nem pôr.
Não me corte em fatias,
(ninguém abraça um pedaço)
Me envolva toda em seus braços
E eu serei perfeita, amor!
(do livro "Bom dia amor!", 1990, Mirtes Mathias)
Pois é, as vezes fica difícil ser uma pessoa compreensiva o tempo todo;
Aquela que sempre entende o lado de todo mundo;
Que tenta exibir um largo sorriso, em qualquer ocasião.
Isso se agrava bastante quando os hormônios estão à flor da pele, e a certonina abaixo da linha da pobreza.
Infelizmente isso tudo acaba respingando em quem estiver mais próximo, ou em quem ousar aproximar-se.
Mas o motivo é que as pessoas a quem mais amamos, são nossas fortalezas, onde sabemos que podemos sempre nos apoiar quando estamos fracos.
Aliás isso me faz recordar de uma célebre frase, perdoem a minha ignorância, mas de momento não recordo a quem pertence: "Me ame quando eu menos merecer, pois esse será o momento em que mais preciso do seu amor".
Marcadores:
Usando as "cousas" dos outros
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
Dois
Eles já se conheciam há algum tempo.
Bastante tempo, na verdade.
Falavam-se regularmente, acho que simpatizavam um com o outro.
Ele, falou a uns amigos que até achava ela meio bonitinha.
Ela, dizia a sua mãe que gostava de conversar com ele.
Mas nenhum dos dois tinham segundas intenções.
Então, numa certa tarde de domingo, dessas em que não se tem nada pra fazer,
Ele passou o seu msn para ela.
Ela já o havia adicionado, mas com a conta errada (bem típico).
Então ela descobriu que ele, escrevia muito bem.
E acabou lembrando que também gostava de escrever.
E os dois, que já se conheciam há tanto tempo,
Acharam que tinham um bocado de coisas em comum.
Ele ficou indignado quando soube que ela, nunca tinha ido ao cinema.
Convidou-a então.
Ela aceitou.
Foram...
Beijaram-se, caminharam de mãos dadas, jogaram conversa fora...
Pronto, não se desgrudaram mais.
Quando ele apareceu na casa dela, todo embrulhado pra presente,
Ela achou que ele, apesar de ficar muito bem de All Star,
Ficava ainda melhor com sapatos sociais.
Ela, teve muitos receios.
Ele, muita compreensão.
Na verdade, ela as vezes ainda tem um pouco de medo de estar voando alto demais.
Mas procura não pensar nisso.
Esse foi o início de uma história que continua...
Por muito tempo,
É o que ela espera.
Bastante tempo, na verdade.
Falavam-se regularmente, acho que simpatizavam um com o outro.
Ele, falou a uns amigos que até achava ela meio bonitinha.
Ela, dizia a sua mãe que gostava de conversar com ele.
Mas nenhum dos dois tinham segundas intenções.
Então, numa certa tarde de domingo, dessas em que não se tem nada pra fazer,
Ele passou o seu msn para ela.
Ela já o havia adicionado, mas com a conta errada (bem típico).
Então ela descobriu que ele, escrevia muito bem.
E acabou lembrando que também gostava de escrever.
E os dois, que já se conheciam há tanto tempo,
Acharam que tinham um bocado de coisas em comum.
Ele ficou indignado quando soube que ela, nunca tinha ido ao cinema.
Convidou-a então.
Ela aceitou.
Foram...
Beijaram-se, caminharam de mãos dadas, jogaram conversa fora...
Pronto, não se desgrudaram mais.
Quando ele apareceu na casa dela, todo embrulhado pra presente,
Ela achou que ele, apesar de ficar muito bem de All Star,
Ficava ainda melhor com sapatos sociais.
Ela, teve muitos receios.
Ele, muita compreensão.
Na verdade, ela as vezes ainda tem um pouco de medo de estar voando alto demais.
Mas procura não pensar nisso.
Esse foi o início de uma história que continua...
Por muito tempo,
É o que ela espera.
Marcadores:
Dentro do coração,
Pequenos contos
terça-feira, 15 de setembro de 2009
Caixinhas de vidro
Eu recordo que quando era criança minha mãe costumava dizer que queria me colocar em uma caixinha de vidro. Na verdade ela ainda costuma dizer isso, mas hoje em dia, para os netos.
Só agora entendo a que ela se referia quando falava assim. É que nós adultos, ainda mais esse bicho estranho a quem chamamos carinhosamente de mãe, temos esse instinto de proteção para com os mais indefesos. Na caixinha de vidro de minha mãe, nenhum mal era capaz de me alcançar. E ela nem sabe, o quanto essa caixinha imaginária me protegeu.
Mas eu cresci, e a pequena caixa não deu mais conta do tamanho das minhas aflições, das intempéries que a vida, sempre sujeita a chuvas e tempestades, me trouxe durante o meu trajeto por esse mundo.
Muitas vezes eu quis encolher, como a Alice, aquela do país das Maravilhas, e caber novamente na caixinha da minha mãe. Mas o tempo, como um rio que segue seu o curso, não pode voltar atrás. E sei o quanto doeu nela, cada ferida que eu esperei pacientemente para curar.
Eu também gostaria de colocar tantas pessoas em caixinhas de vidro. Algumas crianças, outras nem tanto... Mas as caixas que construímos nunca são grandes o bastante. Mesmo assim queremos sempre proteger os que amamos, chegando ao absurdo muitas vezes de tentar impedir que eles vivam suas próprias experiências.
Mas cuidado, as caixinhas de vidro, mesmo as que guardam as melhores intenções, podem sufocar, e aí perdem a razão de ser e se transformam em prisões disfarçadas.
Só agora entendo a que ela se referia quando falava assim. É que nós adultos, ainda mais esse bicho estranho a quem chamamos carinhosamente de mãe, temos esse instinto de proteção para com os mais indefesos. Na caixinha de vidro de minha mãe, nenhum mal era capaz de me alcançar. E ela nem sabe, o quanto essa caixinha imaginária me protegeu.
Mas eu cresci, e a pequena caixa não deu mais conta do tamanho das minhas aflições, das intempéries que a vida, sempre sujeita a chuvas e tempestades, me trouxe durante o meu trajeto por esse mundo.
Muitas vezes eu quis encolher, como a Alice, aquela do país das Maravilhas, e caber novamente na caixinha da minha mãe. Mas o tempo, como um rio que segue seu o curso, não pode voltar atrás. E sei o quanto doeu nela, cada ferida que eu esperei pacientemente para curar.
Eu também gostaria de colocar tantas pessoas em caixinhas de vidro. Algumas crianças, outras nem tanto... Mas as caixas que construímos nunca são grandes o bastante. Mesmo assim queremos sempre proteger os que amamos, chegando ao absurdo muitas vezes de tentar impedir que eles vivam suas próprias experiências.
Mas cuidado, as caixinhas de vidro, mesmo as que guardam as melhores intenções, podem sufocar, e aí perdem a razão de ser e se transformam em prisões disfarçadas.
Marcadores:
Devaneios,
Pensamentos
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Poeminha para o meu amor
Há tanta luz no seu sorriso, que ofusca o meu olhar.
Fecho os meus olhos então, e o seu sorriso me beija.
E a luz do teu riso vem e ilumina toda minha escuridão.
(Quanta coisa cabe nesse instante, um infinito de sentimentos.)
Daí enxergo tudo tão claramente...E não tenho mais como tentar enganar a mim mesma.
Eu quero, e posso, acreditar que é amor!
Fecho os meus olhos então, e o seu sorriso me beija.
E a luz do teu riso vem e ilumina toda minha escuridão.
(Quanta coisa cabe nesse instante, um infinito de sentimentos.)
Daí enxergo tudo tão claramente...E não tenho mais como tentar enganar a mim mesma.
Eu quero, e posso, acreditar que é amor!
Marcadores:
Dentro do coração
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Era uma vez
Era uma vez,
uma menina que não queria pentear os cabelos...
um garoto descendo a ladeira num carrinho de rolimã...
um casal de gatos namorando (e fazendo muito barulho)...
um carro enguiçado no semáforo...
gente na praia, curtindo o sol...
uma moça ouvindo músicas nostálgicas e pensando no namoro que acabou...
um homem comemorando o novo emprego...
outro chorando a morte do melhor amigo...
Tudo isso acontecendo paralelamente, no tempo e no espaço.
Xíii...acho que pirei!
uma menina que não queria pentear os cabelos...
um garoto descendo a ladeira num carrinho de rolimã...
um casal de gatos namorando (e fazendo muito barulho)...
um carro enguiçado no semáforo...
gente na praia, curtindo o sol...
uma moça ouvindo músicas nostálgicas e pensando no namoro que acabou...
um homem comemorando o novo emprego...
outro chorando a morte do melhor amigo...
Tudo isso acontecendo paralelamente, no tempo e no espaço.
Xíii...acho que pirei!
Marcadores:
Coisas e tal,
Devaneios
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Essências
Na minha humilde experiência de vida, e na minha maneira de perceber as pessoas, posso notar que somos o que pensamos, e também como agimos. Isso é a essência de cada indivíduo.
E sabe que eu sinto medo das pessoas que tem a essência de cristal. Ouvi dizer, e isso eu ainda não comprovei, que uma peça de cristal quando cai, não quebra, simplesmente desmancha-se. E há pessoas que são assim, na primeira adversidade desmorona, e não consegue enxergar além do momento difícil que esta passando. Recusa-se a olhar em volta e ver o sofrimento alheio, muitas vezes até mais aflitivo que o próprio. Tudo bem que isso pode até ser uma doença, então que se procure um médico, uma terapia, um sei lá o que... Na vida teremos problemas, isso é a coisa mais certa depois da morte!
Eu prefiro uma essência de vidro. Vidro cai, quebra, mas sempre podemos catar os caquinhos, o que custa muitas lágrimas; colar com cuidado, o que dá bastante trabalho, mas o resultado é muito bom. Sim, porque mesmo que não fique a mesma coisa, as marcas vão dizer por onde passamos e o que queremos nos tornar.
Viver não é fácil, conviver então... é complicado demais. Então simplifiquemos as coisas. Porque não descomplicar a vida, as relações? Isso é possível, acredite!
Todo esse blá blá blá, pra dizer o que o grande Carlos Drummond de Andrade, definiu tão bem, em uma única frase:
"A vida é uma pedra de amolar, desgasta-nos ou afia-nos, dependendo do metal de que somos feitos".
E sabe que eu sinto medo das pessoas que tem a essência de cristal. Ouvi dizer, e isso eu ainda não comprovei, que uma peça de cristal quando cai, não quebra, simplesmente desmancha-se. E há pessoas que são assim, na primeira adversidade desmorona, e não consegue enxergar além do momento difícil que esta passando. Recusa-se a olhar em volta e ver o sofrimento alheio, muitas vezes até mais aflitivo que o próprio. Tudo bem que isso pode até ser uma doença, então que se procure um médico, uma terapia, um sei lá o que... Na vida teremos problemas, isso é a coisa mais certa depois da morte!
Eu prefiro uma essência de vidro. Vidro cai, quebra, mas sempre podemos catar os caquinhos, o que custa muitas lágrimas; colar com cuidado, o que dá bastante trabalho, mas o resultado é muito bom. Sim, porque mesmo que não fique a mesma coisa, as marcas vão dizer por onde passamos e o que queremos nos tornar.
Viver não é fácil, conviver então... é complicado demais. Então simplifiquemos as coisas. Porque não descomplicar a vida, as relações? Isso é possível, acredite!
Todo esse blá blá blá, pra dizer o que o grande Carlos Drummond de Andrade, definiu tão bem, em uma única frase:
"A vida é uma pedra de amolar, desgasta-nos ou afia-nos, dependendo do metal de que somos feitos".
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
Melhor coisa do mundo
E agora é assim...
Para mim a melhor coisa do mundo,
é quando me estreitas nos teus braços,
e eu,
recosto suavemente minha cabeça no teu peito,
e escuto as batidas do teu coração,
enquanto tu,
afagas suavemente os meus cabelos.
É verdade,
tens razão quando falas, que há quem não goste de momentos assim.
Eu bem sei que existem pessoas estranhas no mundo.
Mas não importa.
Porque quando estamos juntos,
somos só você e eu,
Como se nunca ninguém mais houvesse existido.
Marcadores:
Dentro do coração
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
O perfume de Olívia
E ali estava Olívia, como todas as tardes, em sua cadeira de balanço. Aproveitando a brisa que afagava-lhe levemente os cabelos já embranquecidos pelo tempo. Ela devia estar pela casa dos 89, 90 anos.
Viúva da revolução, perdera a única filha para o sarampo ainda em tenra idade, mas interessante, não endureceu.
Ela tinha um semblante tranquilo, olhar doce, e embora já um pouco senil, era sempre muito delicada no trato com as pessoas. Era um desses seres humanos raros, que não se encontram assim facilmente.
Depois que perdeu sua família, tornou-se voluntária das forças humanitárias, e como não pudesse dar conta do próprio sofrimento, resolveu ajudar a amenizar o dos outros, e assim talvez ocupar a mente e exaurir o corpo, para tentar esquecer um pouco as suas mazelas.
Mas conseguiu muito mais do que isso, Olívia sarava as feridas do corpo e da alma, desde jovem teve uma sabedoria acima do normal, um olhar contemplativo, destes que perscruta e desarma mesmo os mais insensíveis.
Não sei o que se passava com essa linda criatura, se esse seu jeito era fruto de uma boa criação ou se tratava de um dom natural ou coisa assim. O fato é que me intriga até hoje que uma pessoa tão provada pela vida mantivesse tamanha serenidade.
E seus olhos...não viam praticamente mais nada, mas enxergavam longe. Vislumbravam episódios que se mesclavam em sua cabeça cansada: Ora uma linda pequena correndo de braços abertos, gritando "mamã", ora gemidos de homens feridos gravemente, tudo isso entrecortado com sobressaltos quando imaginava ouvir sons de tiros.
Será justo isso? Alguém semear flores e só colher os espinhos? Será verdade que o sofrimento liberta? Não sei, não compreendo sobre essas regras universais que regem os destinos dos viventes - se é que realmente existem - mas sei de Olívia. Sei que é possível atravessar um verdadeiro inferno sem perder a ternura, o amor para com as pessoas, a vontade de viver.
Aquela mulher de feições suaves, esculpidas pelo tempo sem muita delicadeza, era um paradoxo.
Mas também a prova, que quando o amor e a dor se misturam, geram frutos de redenção que se espalham num aroma irresistível que contagia quem tiver a sensibilidade de percebê-lo.
E naquela mesma tarde, quando toquei suavemente em seu ombro para levá-la para o interior da casa, ela havia adormecido, mas não estava apenas dormindo, chegou para ela o sono pelo qual ansiava a tanto tempo, mas sem jamais buscá-lo ou suplicá-lo.
Pacientemente Olívia esperou seu descanso.
Dorme querida, porque o perfume que espalhaste permanece no coração daqueles que buscam a felicidade mesmo entre as agruras desta vida infame.
Viúva da revolução, perdera a única filha para o sarampo ainda em tenra idade, mas interessante, não endureceu.
Ela tinha um semblante tranquilo, olhar doce, e embora já um pouco senil, era sempre muito delicada no trato com as pessoas. Era um desses seres humanos raros, que não se encontram assim facilmente.
Depois que perdeu sua família, tornou-se voluntária das forças humanitárias, e como não pudesse dar conta do próprio sofrimento, resolveu ajudar a amenizar o dos outros, e assim talvez ocupar a mente e exaurir o corpo, para tentar esquecer um pouco as suas mazelas.
Mas conseguiu muito mais do que isso, Olívia sarava as feridas do corpo e da alma, desde jovem teve uma sabedoria acima do normal, um olhar contemplativo, destes que perscruta e desarma mesmo os mais insensíveis.
Não sei o que se passava com essa linda criatura, se esse seu jeito era fruto de uma boa criação ou se tratava de um dom natural ou coisa assim. O fato é que me intriga até hoje que uma pessoa tão provada pela vida mantivesse tamanha serenidade.
E seus olhos...não viam praticamente mais nada, mas enxergavam longe. Vislumbravam episódios que se mesclavam em sua cabeça cansada: Ora uma linda pequena correndo de braços abertos, gritando "mamã", ora gemidos de homens feridos gravemente, tudo isso entrecortado com sobressaltos quando imaginava ouvir sons de tiros.
Será justo isso? Alguém semear flores e só colher os espinhos? Será verdade que o sofrimento liberta? Não sei, não compreendo sobre essas regras universais que regem os destinos dos viventes - se é que realmente existem - mas sei de Olívia. Sei que é possível atravessar um verdadeiro inferno sem perder a ternura, o amor para com as pessoas, a vontade de viver.
Aquela mulher de feições suaves, esculpidas pelo tempo sem muita delicadeza, era um paradoxo.
Mas também a prova, que quando o amor e a dor se misturam, geram frutos de redenção que se espalham num aroma irresistível que contagia quem tiver a sensibilidade de percebê-lo.
E naquela mesma tarde, quando toquei suavemente em seu ombro para levá-la para o interior da casa, ela havia adormecido, mas não estava apenas dormindo, chegou para ela o sono pelo qual ansiava a tanto tempo, mas sem jamais buscá-lo ou suplicá-lo.
Pacientemente Olívia esperou seu descanso.
Dorme querida, porque o perfume que espalhaste permanece no coração daqueles que buscam a felicidade mesmo entre as agruras desta vida infame.
Assinar:
Postagens (Atom)
